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Edufal, memória e emancipação*

19/09/2012 Edufal, memória e emancipação*

 

“Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”, disse Monteiro Lobato. É a partir das leituras de mundo, caro leitor, que faço duas homenagens – a Sheila Maluf, que deixa a Edufal, e a Stela Torres Lameiras, que dará continuidade àquelas ações. Uma delas, a Bienal que induz a sociedade ao reconhecimento da leitura como processo responsável pela inserção social dos indivíduos e legítima a leitura como patrimônio cultural.

            Destaco Van Dijk, ao afirmar: “[...] o conhecimento é o fundamento de toda a interação e comunicação na sociedade e é geralmente pressuposto no discurso” (2010), porque a linguagem é determinada pelas relações sociais, e, é produto da interação social, pois, ao se constituir a partir do meio social em formações discursivas, dá voz à “mudez do real” (expressão usada por Chasin, 1989) a partir das práticas discursivas que articula ação e interação, pessoas, mundo material e discurso.

            Essa interação entre pessoas, mundo material e discurso foi efetivada e protagonizada por Sheila Maluf, que fez da Edufal a mais importante estrutura acadêmica da nossa Ufal. Reconhecida nacionalmente, Sheila ratifica o legado de Monteiro Lobato – livros, como víeis de um processo de emancipação do sujeito, ao construir o hábito pela leitura na sociedade alagoana. Incansável guerreira, ao lado da magnífica Ana Dayse Dórea, consolidou a missão de editar e divulgar trabalhos/pesquisas de interesse científico e a política além-muros daquela Casa de Educação.

            Vale ressaltar os diversos prêmios em âmbito nacional, após superar os limites e as dificuldades comuns do cotidiano contemporâneo das editoras universitárias. Bem como o desenvolvimento do projeto Braille, tornando-se a pioneira da inclusão de cegos no mundo da leitura.

            A sucessora, aquela que disse “Sim” a continuidade do sucesso, Stela Torres Lameiras, doutora em Linguística, e com uma gama de conhecimentos acerca da vida acadêmica, “tal qual as árvores da floresta cujos ramos, ao se esparramarem abraçam suas raízes”.

            Sertaneja de Água Branca andou nas estradas de chão, agarrou os nexos entre o tradicional, o moderno e a ciência, e se destacou nos congressos da Federação Internacional dos Professores de Francês em Québec, no Canadá (2008) e da ARIC, sobre Práticas Interculturais, em Friburbo, na Suíça (2010), representando o Brasil na Mesa-Redonda de encerramento daquele evento. Sem sombra de dúvidas, Lameiras colocará a Edufal em patamares ainda não conquistados.

            Sob a proteção de Nossa Senhora da Conceição, Stela Torres saberá, ainda, fazer o cio das ideias, que crescem no diálogo, e sonhará mais um sonho impossível: lutará quando for fácil ceder; vencerá o inimigo invencível; negará quando a regra é vender. Sofrerá a tortura implacável, romperá a incabível prisão, voará num limite improvável, tocará o inacessível chão. É sua minha lei, é sua questão: virar este mundo cravar este chão. Não se importará saber se é terrível demais. Quantas guerras terá que vencer, por um pouco de paz! E amanhã se este chão que beijou for seu leito e perdão. Vai saber que valeu delirar e morrer de paixão. E assim, seja lá como for, vai ter fim a infinita aflição. E o mundo vai ver uma flor brotar do impossível chão.

 

* Texto de Zoroastro Neto (Mestre em Ciências da Linguagem e professor do IFPE) publicado no O Jornal, ano 19, número 58, página A6 em 18 de setembro de 2012.

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